sexta-feira, 20 de maio de 2011

Supresa: eu concordo com Sarney!

Sem preconceito, por favor!
Nada mais representativo da burrice do que essa teoria do falar errado. Foi quando fui presidente da República que universalizei o programa do livro gratuito nas escolas, e o grande problema era a qualidade do livro.

Eu mesmo, nesta coluna, tive a oportunidade de reclamar de um livro de história distribuído nas escolas, chegado às minhas mãos pela minha neta, um verdadeiro horror pelos erros que ensinava.

Hoje todos estão de acordo que a educação é um problema universal. Sem ela, ninguém caminha. E esta começa pela língua. O mundo do futuro não será de países grandes ou pequenos, mas dos que dominarem tecnologia e ciência.

Para isso, não estão dispensados de falar corretamente.

A língua é instrumento de unidade e político. É a primeira identidade. Não é por acaso que a Alemanha e a França gastam quantias fabulosas para manter, inclusive mundo afora, o ensino do alemão e do francês. É impossível pensar em matar as suas línguas, deformando-as, sem regras e sem falantes.

É nesse quadro que o Brasil resolve criminalizar quem fala corretamente e quer ensinar a que os outros também o façam. Isto, dizem, é discriminação. Ensinar não é discriminar, a função do professor é ensinar e corrigir.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Em defesa da tradição


Depoimento - ou desabafo do Théo, primeiro presidente do CTG Estância da Amizade
(levemente editado por mim, RX)

Théo-1953
TRADICIONALISTA
Theodomiro Xavier

Acho que a intolerância se deve ao fato de que ninguém aceita ou entende o hobby do outro

Sou tradicionalista e "gauchista", de há muito tempo. Isto é público e notório e por causa disto sou alvo de frequentes ataques de iconoclastas que nunca soube porque detestam as tradições. Por que isto?

O tradicionalismo é aceito na França, Inglaterra, Rússia, Polônia etc. Grupos se formam para cultuar as danças, roupas, músicas de seus antepassados . No Brasil cada região tem o seu folklore e tradição. Mas aqui no Rio Grande do Sul há quem ache isto abominável.

Temos exageros ? temos ! mas isto é comum em qualquer atividade. Voltemos para o normal. Eu acho que a intolerância se deva ao fato de que ninguém aceita ou entende o hobby do outro!

Por que um cirurgião renomado, do meu hospital, sai no inverno, com chuva e se esconde atrás de uns galhos verdes para dar tiros nuns patos que não fizeram nada para ele? Por que uma pessoa fica horas de pé num festival para ouvir uma música que pode ouvir no Youtube? Eu tenho um vizinho que montou uma parafernália na garagem, gasta uma fortuna para trazer trenzinhos e sinaleiras da Europa – porque ele é ferroviarista!

Agora gostar de músicas, história e estórias dos gaúchos causa um incômodo a alguém, por que? Consultem um psiquiatra!

O Demétrio de novo

O artigo que ele (não) menciona abaixo já foi transcrito aqui. O que aparece a seguir é um comentário via e-mail, que achei que valia a pena compartilhar.Quando desapareceu o "gaúcho de verdade"? "O gaúcho é uma figura libertária ou um servil?" - questões que o Demétrio coloca e responde à luz das suas vivências e leituras. (RX)
Vou então jogar umas coisas. Não no ventilador, por supuesto, porque, como se diz no Passo da Tigra, noblesse oblige. Espargindo, para futuro acolheramento, se quadrar. Mais como quem lança... búzios!
Antes de mais tudo, recomendo vivamente um artigo meu, que esgota esse assunto com precisão e estilo invejáveis. Faço-o sem nenhum pudor, por uma razão até simples: nunca o escrevi.
Se intitula (rá; ria...) “Gauchismo: seus detratores, seu gauchismo.”
O Bioy Casares diz um troço muito legal: que, de uma maneira geral, a desaparição ou a derradeira presença do gaúcho “de verdade” (porque sempre se afirma que no presente ele não existe e o que há são representações fantasiosas) se localiza setenta anos antes do discurso que ora se estiver fazendo.
Isso permite um monte de chutes bonitos. O primeiro é que esse lapso coincide com a possibilidade de interlocução pessoal de avô com neto, tanto quanto com a expectativa de vida.
Quanta gente vinha dizendo que o Verdadeiro Gaúcho (doravante chamado neste instrumento VG) morreu na época da Revolução de 30?

Muitos bandos

Os comentários dos sobrinhos têm produzido textos tão legais que resolvi colocá-los como posts independentes. Então, não fiquem tristes se os textos que enviaram "não têm comentários" - cada um deles faz parte de uma rede de comentários recíprocos, OK?  (RX)
Borges tem um conto em que fala de um gaucho andando a cavalo pelos pampas que me causa arrepios.
É tão forte que dá prá sentir frio, cheiro de pasto e sobretudo melancolia, muita melancolia. Se essa melancolia toma cores diferente segundo se esteja deste ou daquele lado da fronteira eu não saberia dizer. Se o fato de sermos gaúchos com acento explica a razão de termos essas manifestações "folclóricas" tão exacerbadas é algo interessante de estudar.


Apesar de ser totalmente portoalegrense, venho de uma família com fortes valores gauchescos. Mesmo a geração mais jovem dos primos (somos 40 e poucos) encarna a figura do gaudério.